Seds acompanha divulgação de pesquisa sobre os efeitos da pandemia nos jovens brasileiros

A superintendente da Criança, Adolescente e Juventude, Valéria Machado, representou a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) no lançamento virtual da pesquisa Juventude e a Pandemia do Coronavírus, nesta terça-feira, 23. 

Os dados levantados apontam que a pandemia poderá gerar aumentar do abandono e a evasão escolar, o que terá grande impacto negativo entre os jovens. Ao serem questionados sobre os maiores desafios de estudar em casa, 49% dos jovens revelaram que o lado emocional — medo, ansiedade, estresse — tem atrapalhado os estudos. 

A população jovem do Brasil soma 47,2 milhões, ou seja, 23% dos brasileiros. Para a pesquisa, foram ouvidos mais de 33 mil jovens de todos os estados sobre os impactos da mudança de rotina em sias vidas em razão da pandemia do coronavírus no país. Eles responderam aos questionários apresentados por plataforma online no período de 15 a 31 de maio. 

A iniciativa da pesquisa é do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Rede do Conhecimento Social, a Rede Em Movimento, a instituição Visão Mundial, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, o Mapa da  Educação e a ONG Porvir, e teve como finalidade conhecer a realidade vivida pelos jovens brasileiros nesse período de pandemia.

“A ação, de forma criativa e articulada, deu voz e capturou as percepções dos jovens de diferentes regiões, sobre a pandemia e seus efeitos de milhares de cidadãos brasileiros”, observa Valéria. A pesquisa trouxe uma visão panorâmica das regiões, das idades e das atividades dos jovens, sendo que, dos que participaram da proposta, 90% são da área urbana e 10%, da rural.

Dos participantes, 21% têm idade de 15 a 17 anos; 47% de 18 a 24 anos; e 32% de 25 a 29 anos. 32% dos respondentes trabalham e estudam; 40% são exclusivamente estudantes e 18% dedicam tão somente ao trabalho, e apenas 10% dos jovens não estudam e não trabalham.

A pesquisa destacou ainda que menos de 12% dos jovens já estudavam de forma semipresencial ou a distância, ou seja, 88% dos jovens passaram por adaptação para o ensino remoto. 

Um dado preocupante da pesquisa é que 28% dos entrevistados declararam que já pensaram em não retornar aos estudos após a pandemia. Nesse grupo, cerca de 30% têm de 25 a 29 anos.  

Na análise de impacto financeiro e de trabalho a pesquisa revela que quase 7 a cada 10 jovens são totalmente ou parcialmente dependentes financeiramente dos familiares. Antes da pandemia, cerca de 50% dos jovens estavam trabalhando.

Outro dado aponta que 6 a cada 10 jovens tiveram alteração em sua carga de trabalho desde o início da pandemia: 14% por aumento; 16% por redução; 19% pararam temporariamente as atividades; 6% foram demitidos e 2% relataram que o local de trabalho fechou por falta de recursos para manutenção das atividades.

Em razão dos efeitos da pandemia, foi possível constatar que 3 a cada 10 jovens relatam ter buscado complementação para sua renda. A pesquisa apontou também que 6 a cada 10 indicam pertencerem a famílias cadastradas para receber o auxílio emergencial.

 

Angústia

Em relação aos sentimentos sobre o futuro, a pesquisa aponta 27% dos jovens estão otimistas e 34% estão pessimistas; 75% declararam que perder um familiar era o seu maior medo durante a pandemia. 

A ansiedade, o tédio e a impaciência foram os sentimentos mais frisados durante o isolamento social. Dentre os sentimentos avaliados como positivos, a sensação de acolhimento prevaleceu, o que pode ser decorrente de relações afetivas, familiares e interações à distância.

Apesar de ter prevalecido sentimentos negativos e grande medo de perder um ente querido, de forma remota e surpreendentemente positiva, a pesquisa apontou atos de solidariedade  entre os jovens: 79% deles ligaram para conhecidos no intuito de garantir que estavam bem; 70% utilizaram as redes sociais como meio de conscientização; 40% apoiaram alguém vulnerável para garantir o seu bem estar e 29% fizeram algum tipo doação.

Na opinião de Valéria Machado, as evidências trazidas pela pesquisa devem mostrar aos gestores públicos de todo o país dados relevantes que permitem tomar atitudes proativas para promover o desenvolvimento social e pensar em políticas públicas com maior eficiência para melhor atender demandas da população jovem em todos os estados.

“Em Goiás, uma ampla rede de proteção social foi instituída pelo governo com o propósito de oferecer melhores oportunidades ao jovem goiano, como por exemplo o Programa Jovem Cidadão, o Passe Livre Estudantil, a destinação de recursos para suporte nutricional de estudantes da rede estadual, entre outras ações”, ressalta a superintendente.  

A pesquisa ouviu jovens de todas as regiões do país, sendo 8% de jovens do Centro-Oeste, 10% da região Norte, 14% da região Sul, 28% no Nordeste e 40% na região Sudeste.  

Para conferir os dados completos da pesquisa clique neste link.